Blog

Mesmo com a Selic em alta, incorporadoras veem bom momento para crédito

Recentemente, o Banco Central (BC), elevou a taxa básica de juros, a Selic, em um ponto percentual, chegando a 6,25% ao ano. A Selic serve como termômetro para outras taxas, quanto mais alta, mais caros ficam os empréstimos. Entretanto, o momento ainda é positivo para o crédito imobiliário, pontua a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).

Apenas em 2021, a Selic saltou de 2% ao ano para os atuais 6,25%. Em agosto, período em que a taxa básica estava em 5,25%, os financiamentos imobiliários com recursos das cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança (SBPE) atingiram 21,01 bilhões de reais, total 11,8% maior que o registrado no mês de julho. Se comparado com agosto do ano passado, o crescimento foi de 79,2%.

Poupança

A linha Poupança +, que a Caixa baixou os juros, representa atualmente 17% dos contratos de financiamento, afirma a Abrainc. Nos cálculos da associação, a redução anunciada na taxa de financiamento representa um aumento de 6% no poder de compra de um imóvel e pode incluir 927 mil famílias elegíveis para financiamento pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo.

As novas condições da linha, que estarão disponíveis a partir de outubro, são uma taxa de juros de 2,95% mais a remuneração da poupança. A redução foi feita nessa taxa pré-fixada. De acordo com o Banco, o movimento foi possível porque se mexeu no spread bancário. Spread é a diferença entre os juros pagos pelos bancos ao captar dinheiro no mercado e a taxa efetivamente cobrada quando esse dinheiro é emprestado aos clientes. “Fizemos esse movimento exatamente porque o nosso spread bancário aumentou. Quanto maior a taxa de juros Selic, sem mexer nada no resto, maior é o ganho de todo o banco, em especial o que tem captação barata”, explicou Pedro Guimarães, presidente do banco, em ocasião do anúncio da redução.

Apesar da redução da taxa, é preciso que o cliente faça as contas antes de contratar o crédito imobiliário pela nova linha porque, com o movimento contínuo de alta da Selic, a remuneração da poupança pode ter efeitos e, com isso, afetar as parcelas do financiamento. Isso porque o rendimento da poupança equivale a 70% da Selic mais a TR (taxa referencial, atualmente zerada), sempre que a taxa básica de juros estiver em até 8,5% ao ano. Hoje, com a Selic a 6,25% ao ano, a poupança rende 4,28%. Caso a Selic passe de 8,5% ao ano, a poupança passa a render 6,17% ao ano. De acordo com as previsões do mercado financeiro, a taxa de juros deve encerrar este ano em 8,25% e o próximo ano em 8,5%.

Vale lembrar que, o movimento de alta da Selic está relacionado a aceleração da inflação, que alcançou 9,68% em agosto. França, da Abrainc, acredita que a inflação tende a se normalizar em 2022, e assim, a alta dos juros pode ser interrompida.

Fonte: Veja.